|
O Livro de Amós
Amós é o mais antigo dos profetas menores
do antigo testamento, cujas palavras nos foram conservadas em forma de
livro. Amós era um camponês de Técua (cerca de seis milhas ao sul de Belém)
e que exerceu atividade durante o reinado dos reis contemporâneos Ozias,
de Judá, e Jeroboão II, de Israel. Como o seu ministério se instaurou
claramente no apogeu da prosperidade de Israel, deve ter-se prolongado
pelo reinado de Jeroboão II (783-743 a.C.), em torno do ano de 750 a.C..
OBS.: A divisão de maiores e menores é por causa da quantidade
do texto que eles produziram. Os profetas maiores escreveram mais. Os
menores escreveram menos.
Quem era Amós? O livro nos dá três informações
sobre sua profissão: um pastor (1,1), criador de gado e cultivador de
sicômoros (7,14). À primeira vista, pensaríamos que Amós fosse um grande
proprietário e que sua atividade profética pudesse ser em defesa de seus
interesses de proprietário. Todavia, podemos pensar, e talvez com mais
acerto, que Amós fosse uma pessoa pobre, com vários empregos, a serviço
de outros para sobreviver: ora trabalhava como pastor, ora como vaqueiro,
ora como agricultor, dependendo dos "bicos" que conseguia. Lembraria
hoje o bóia-fria que vive das oportunidades passageiras de trabalho. Nessa
perspectiva, a palavra de Amós adquire outro sentido: torna-se denúncia
de uma situação que gera a injustiça social e a pobreza do povo.
O livro
O livro de Amós é uma grande coletânea de dados feita pelos seus discípulos
ou em círculos proféticos, de oráculos e pregações do profeta, proferidos
em várias situações. Embora a sua mensagem se dirigisse antes de tudo
a Israel, vindo do Reino do Sul, ele não esqueceu Judá inteiramente (Am
6,1;8,14).
O livro de Amós é o terceiro dos doze profetas da Bíblia hebraica e latina,
mas o segundo da grega. É o mais antigo dos livros proféticos. Começa
com um título (1,1) e uma exortação, citado por Jr 25,30 e Jl 4,16. Apresenta
três grandes partes: "O julgamento dos povos" (1,3-2,16); "Os
discursos" (3,1-6,13); e "As visões" (7,1-9,8a). A conclusão
(9,8b-15) é um acréscimo.
O Reino do Norte
no tempo de Amós
No tempo de Jeroboão II, rei de Israel, entre 783 e 743 a.C., o reino
do norte conheceu relativa tranqüilidade pelo fato do império assírio
estar ocupado com Damasco. Isso permitiu uma espécie de milagre econômico:
Israel recuperou os territórios perdidos e houve uma fase de grande prosperidade,
com muitas e luxuosas construções, aumento de recursos agrícolas, progresso
da indústria têxtil e tinturaria. O livro de Amós confirma esse desenvolvimento
e progresso, acompanhado de injustiças e contrastes sociais, corrupção
do direito e fraude no comércio. A religião servia para tranqüilizar a
consciência da classe dominante, fomentando o sentimento de superioridade
em relação a outros povos. A aliança com Deus tornou-se letra morta, celebrada
no culto, mas sem qualquer influência na vida diária.
A mensagem
É dentro dessa situação que Amós começa a falar. Além de denunciar
a situação de desigualdade social, ele aprofunda sua crítica, principalmente
no que se refere à religião. Denuncia uma religião que é mera fachada
para a injustiça e que acoberta um sistema iníquo, já viciado pela raiz.
Amós viu que só uma mudança radical de vida salvaria Israel (Am 5,4-6.14s)
e temia que ela não viesse. Só havia um meio de afastar aquela cólera,
que se anunciava próxima: "Odiai o mal e amai o bem, estabelecei
o direito à porta; talvez Javé, Deus dos Exércitos, tenha compaixão do
resto de José" (Am 5,15).
Prumo de Deus
Vamos ver o que diz em Amós 7:7 que fala sobre o prumo de
deus: "mostrou-me também isto: eis que o senhor estava sobre um muro
levantado a prumo; e tinha um prumo na mão".
Portanto, é o Senhor mesmo que estava sobre o muro na visão de Amós. E
aquele prumo em suas mãos é altamente revelador (aquele prumo revela o
nosso desalinhamento, a nossa desigualdade, a nossa tortuosidade).
Da mesma forma como faz o pedreiro (constrói a parede e para verificar
se está certa, alinhada, ele utiliza-se do prumo, o prumo vai mostrar
onde houver tortuosidade), pois, quando Deus coloca o seu prumo em nossa
vida, Ele revela esta ou aquela falha, que precisa ser tirada.
Qual é o prumo de Deus? ...A Bíblia?...A nossa consciência?...Aos padrões
que a sociedade estabelece? O caminho que escolhemos seguir?
Nossa Ordem tenta "passar o prumo" seguindo e utilizando-se
de instrumentos, alegorias para que seus ensinamentos sejam solidificados
em nossa alma e com isso seguirmos alinhados à moral, aos bons costumes
e tudo o mais que ela prega.
Agora, muitas vezes nós mesmos nos intitulamos de "prumo" e
saímos a medir a parede dos outros e colocar defeitos nelas, nos esquecendo
de pôr o prumo de Deus em nós mesmos! Dizemos: "Fulano de tal tá
com a vida tortinha, tortinha!"
Agora, acontece ainda que quando Deus mostra falhas ou tortuosidade em
nós, tentamos disfarçar com um reboco feito por nós mesmos.
A função do prumo de Deus não é revelar falhas ou defeitos para arrastar-nos
a juízo e desespero. A função do prumo de Deus é revelar falhas ou pecados,
para atrair-nos ao arrependimento e para que possamos encontrar perdão
e plenitude em seus braços.
Portanto, deixemos que o prumo de Deus seja colocado em cada área de nossa
vida! Porque precisamos andar nesse alinhamento.
| |
|
Edson Joji Hirano
Janeiro de 2005
|
|