EM BUSCA DA VERDADE

Não é nada fácil discorrermos sobre a verdade. Aliás, é difícil definir o que é a verdade. Algo que pode ser real para uma pessoa pode muito bem ser falso para outra.

Partindo do conceito filosófico da verdade, podemos considerar - a grosso modo -  que aquilo que aparenta veracidade a um expressivo grupo de pessoas, de média homogênea, poderia ser aceito como uma verdade relativa para aquele grupo. Tal conceituação é muito vaga, pois existindo algum ponto de dúvida, já não pode ser considerado válido para fins de compreensão da verdade.

Os usos e costumes não consolidam a verdade, apenas cristalizam uma de suas versões. A verdade é uma experiência totalmente íntima, pessoal a cada ser humano. E para estarmos ao menos próximos desse máximo conceito, devemos passar por algumas experiências, como por exemplo: Desenvolvimento pleno de toda a nossa capacidade de percepção do que nos cerca e do que nos integra; percepção decidida de desenvolver ao máximo o nosso raciocínio, de maneira lúcida, ou seja, não se arraigando a conceitos imutáveis.

Devemos ainda salientar que a verdade não é imutável. Sua roupagem é muito variável e depende de nossas condições de evolução, intelectualidade e discernimento.

De resumo, constatamos que a verdade eterna não existe para nós, simples seres humanos. Ela consiste numa vestimenta da realidade, da qual o homem, por própria condição evolutiva, está impedido de perceber. Os realmente iluminados tocam a verdade, os mestres alcançam a verdade, mas só os reais Adeptos compreendem a sua enormidade.

Voltando a um ponto de vista mais terreno, verificamos em nosso dia-a-dia, quantas pessoas agarram-se tenazmente ao seu próprio conceito de verdade.

Não entendem ou não querem admitir, que a ninguém pertence a verdade absoluta. Obstinam-se em seu ponto de vista e nem sequer cogitam da idéia de que existem vários ângulos e enfoques de um mesmo assunto. Viciam-se, seja por orientação errônea ou pouco intelecto, em sua versão, ironizando a concepção de outrem sobre tal assunto.

Lamentável que isso ocorra até entre pessoas ditas intelectualmente mais desenvolvidas, embora devemos considerar a hipótese de agarrarem-se aos seus conceitos como forma de autodefesa, de molde a evitar se conscientizarem de sua fragilidade emocional. Uma espécie de fuga para evitar encarar os próprios erros.

E como são tolos. Nenhum de nós é detentor da verdade. Devemos respeitar, dentro dos atuais limites da racionalidade, o ponto de vista dos outros.

É como disse o filósofo: "Não concordo com uma única palavra do que dizes, mas defendo até a morte o direito seu de dizê-las..."

Como interessados sinceros na real procura da verdade, devemos tomar as máximas cautelas para não incidir em erro. Às vezes é melhor calar-se perante a palavra peremptória de outrem do que questioná-la.

O tempo, em doses homeopáticas, cedo ou tarde levantará a visão do vendado.

Em suma, a verdade não pertence a ninguém, nem por definição e nem por direito hereditário ou hierárquico.

Lembremos que a Verdade de Deus é o acaso Dele...

 

(*) Publicado originariamente no"O VIGILANTE" nº 13 -Boletim Oficial da ARLS Guatimozin, 66 - Junho/1995.