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ELIPHAS LÉVI
(Alphonse Louis Constant)
1810 -1875
Quando se pergunta pela história do ocultismo
tem muitos nomes e inumeráveis obras, e sem dúvida, se estudarmos o ocultismo
do século XIX tem um nome que ressalta por sua grande importância no ocultismo
esotérico moderno: Eliphas Lévi, cujo nome verdadeiro era Alphonse Louis
Constant.
Eliphas Lévi nasceu em Paris em 1810. Filho de um sapateiro desde muito
jovem se sentiu atraído pela mística, ingressando no Grande Seminário
de Issy, onde cursou estudos clericais.
Como
bom aluno na sua carreira clerical, passou pelo diaconato para mais tarde
ser ordenado sacerdote, mas não foi por muito tempo, já que acabou expulso
pela igreja devido a suas idéias heréticas e por não ter mantido o voto
de castidade. Nos anos posteriores Lévi sofreu em sua pele a miséria tanto
material como espiritual. Arrependido ingressou em 1839 na abadia beneditina
de Solermes acreditando destinado a vida monástica, mas só permaneceu
interno durante um ano, o tempo suficiente para escrever secretamente
sua primeira obra, "A Bíblia da Liberdade". Obra que foi considerada como
perniciosa e pecaminosa pela Audiência de Paris e pela qual foi condenado
a 11 meses de prisão, sendo libertado em abril de 1842. A partir de sua
liberação, atraído por seu ascetismo, começa a freqüentar bibliotecas
aonde descobre com admiração os segredos do hermetismo, estudando Martines
de Pascually. Já admitido na magia e na maçonaria é animado pelo historiador
maçônico Ragón a escrever uma de suas obras mais importantes, "Dogma e
ritual de alta magia", a qual assina com duas letras hebraicas, iniciais
do nome que utilizaria a partir deste momento: Eliphas Lévi, o equivalente
hebraico de seu nome de nascimento, como ele próprio afirmava.
Em março de 1854 chega a Londres aonde conhece o rosa-cruz Sir Edward
Bulwer Lytton (autor de Zanoni) e entre eles cresce a amizade e motivados
por sua devoção pela magia se entregam juntos a experiências místicas.
Lévi se retirou durante 21 dias para um templo londrino, praticando a
meditação acompanhada de uma estrita dieta vegetariana e jejuando durante
duas semanas para no final aparecer diante do teúrgo Apolonio de Tiana.
A partir de então sua reputação de erudito e mestre cresce rapidamente
e Lévi começa a se dedicar à alquimia e a atender consultas de tarô e
quiromancia. De 1865 a 1874, Lévi foi "imperador" de uma importante
sociedade secreta iniciática, "Os Irmãos Maiores da Rosacruz".
Entre outras coisas, a importância de Lévi para o ocultismo é o seu acerto
no desenho e sua interpretação esotérica do Baphomet
(vide neste site). Mais, Lévi foi o primeiro a adaptar o pentagrama
invertido como símbolo material ante o espiritual, do direito. Ele fez
duas ilustrações do pentagrama. Na primeira, o direito (sem inversão),
desenhou um homem dentro de das cinco pontas de uma estrela, simbolizando
cada um de seus membros com um dos quatro elementos - terra, ar, água
e fogo - estando a cabeça representada pelo espírito, os nomes Adão e
Eva escritos dentro da estrela e as letras hebraicas correspondentes à
palavra Yeshua ao seu redor. Chamou o desenho de "O Homem Microcósmico".
Importante
salientar aqui que alguns autores afirmam que tal figura não é
de Lévi, mas de Cornelius Agrippa de Nettesheim, publicada no seu
livro "De Occulta Philosophia" em 1530. Lévi apenas modificou-a,
mais de 300 anos depois (a figura do homem-microcosmo ao lado direito
e acima é de Cornelius Agrippa, sem as escritas de Lévi).
Mas há outro detalhe, 24 anos antes de Agrippa, Leonardo Da Vinci
fez um estudo o qual descobre a simetria humana, mostrada em um desenho
que o chamou de "O homem Vitruviano", um sucesso na época.
Da Vinci não tinha nada de ocultista, mas certamente inspirou Agrippa
a pensar em uma "simetria oculta" do homem.
Na ilustração do pentagrama invertido (do lado esquerdo) Lévi desenhou
dentro da estrela invertida a cabeça de uma cabra e os nomes de Samuel
y Lilith dentro e a palavra Léviatan (seria de Lévi?) ao redor. Chamou-o
de Baphomet. O Baphomet completo e famoso (também chamado de Sabbatic
Goat) sentado em cima de uma esfera viria mais tarde, ilustrando a capa
de seu livro "A Doutrina da Alta Magia" publicado em 1855.
Ao interpretar os pentagramas formulou pela primeira vez a diferença entre
o simbolismo humano-material e o divino-espiritual. Também aportou estudos
sobre os 22 arcanos maiores do tarô, associando-os as letras do alfabeto
hebraico e a seus aspectos divinos. Além das obras já citadas, Lévi deixou
outras obras de grande importância para o esoterismo e o ocultismo, tais
como "Historia da magia", "A magia transcendental" o "A chave dos mistérios",
entre outras. Suas obras influenciaram a outros grandes ocultistas como
Aleister Crowley, quem proclamou ser a reencarnação de Lévi.
Eliphas Lévi, cabalista, rosa-cruz e maçom, fez de suas escrituras sua
vida e de sua vida magia, sendo sem dúvida um dos ocultistas mais importantes
do século XIX. Lévi faleceu em 1875 com a idade de 65 anos, não sem antes
de deixar um importante legado para os amantes do ocultismo.
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