A RELIGIÃO NA VIDA DO HOMEM

Como nasceu a Religião?
Há quem diga que não nasceu com o Homem, outros afirmam que anterior ao próprio Homem.
O Homem apareceu na Terra 10 milhões de anos atrás na forma de Australopitecus, a primeira forma autêntica de Homem e posterior aos Ramaphitecus, que foram os últimos homens-macacos. Nos primeiros milhares de anos o Homem leva uma vida similar a um animal alimentando-se de raízes, plantas, caramujos, insetos.
A primeira ferramenta que descobre é sua própria mão e com seu uso inicia uma lenta progressão para uma vida melhor. Do convívio com outros homens cria uma comunicação mediante a linguagem e começa a se diferenciar dos outros animais.
Criam-se tribos, amplia-se sua base social e se desenvolve a observação da natureza, começa a pensar em diversas situações que acontecem, tais como os sonhos, os fenômenos atmosféricos, o nascimento de uma nova vida, as doenças e a morte.

As práticas religiosas são uma fase recente dentro da evolução do Homem. Digamos que anterior a 200.000 anos o Homem careceu de todo sentimento religioso. A religião existe, mas ainda o Homem na sua ignorância não tem consciência dela.
A resposta a essas suas preocupações há de estar em um ser superior que não habita nossa comunidade.

O Homem sente a necessidade de um Deus como um meio de atingir a imortalidade. A existência de um Deus, mesmo que disfarçadamente, é de interesse pessoal do Homem usando-o como seu protetor e para lhe garantir sua ressurreição.
Sua primeira descoberta como Ser superior e que lhe acompanha, inatingível, é o Sol. O Homem, animal racional, tentou compreender o mistério do Sol; era seu amigo, pois durante o dia com a sua luz facilitava-lhe a caça, protegia-o do frio, mas que, infelizmente, todos os dias era derrotado pelas trevas e perecia, deixando-o totalmente inerme, sem defesa.
O ocaso do Sol causou-lhe receio e, provavelmente, medo. Amou a luz e temeu as trevas. Adorava o nascimento do Sol e chorava sua desaparição. Este estado espiritual foi-se transmitindo por gerações. E assim, desde a Antigüidade, o Sol foi considerado uma divindade e, como tal, adorado pelo Homem. Povos históricos tais como os indianos, os persas, os gregos, os egípcios, os romanos, os astecas e os incas, renderam-lhe homenagens e tributos. Em efeito, todos os livros sagrados das primitivas religiões revelam que a teologia de todos os povos fundava-se em que os astros, especialmente o Sol, eram os causadores de todos os bens e desgraças do Homem, através da sua ação nas forças da natureza.
Fonte de luz e calor, o Sol foi proclamado Rei dos Céus e Soberano do Mundo. A emocionante regularidade da sua brilhante aparição e seu ocaso ensinava os Homens as verdades da vida, da morte e do renascimento. Era vencido pelo gênio do Mal, representado pelas trevas, mas reaparecia novamente como renascido e vencedor. Com esta morte e ressurreição alegórica, o Homem conhece pela primeira vez, as vicissitudes da vida e o dogma glorioso, análogo como vida nasce da morte.
Pela adoração ou culto do Sol, o Homem chegou na Antigüidade com a concepção das idéias mais sublimes sobre a divindade e a existência humana. É sabido que todos os deuses solares (Horo, Mitra, Freyr, Baco, Adonis, Jesús, Huetsilopochtli, etc) nascem no solstício de inverno e morrem no equinócio da primavera. Essa coincidência mostra que não se trata da história de um Homem e sim de um herói de um mito solar.

O Homem começa a criar mitos, pequenos dramas para explicar e humanizar tais ritos. Os mitos serviram no passado para expor certas verdades de forma que somente os iniciados poderiam entender. O primeiro mito que o Homem conheceu é o Mito Solar. O Sol representava o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição. Assim a religião católica estabeleceu o nascimento de Jesus em 25 de

Dezembro, no solstício de Inverno (Hemisfério Norte) quando a constelação da Virgem aparece no horizonte simbolizando que Ele nasce de uma virgem. Logo, similar ao Sol, a Jesus pesa a todos os perigos que lhe ameaçam na sua infância  e se levanta triunfante para proclamar sua doutrina. O Sol renasce na primavera e cria uma nova vida na natureza que havia perecido no inverno. O Sol foi o início das religiões.

O sepultamento de cadáveres é outra conseqüência inequívoca de uma manifestação religiosa. Começa no início da pré-história quando o Homem ainda não conhecia a existência da alma. Pensa que o defunto continua vivendo em um lugar desconhecido, por isso toma medidas que assegurem sua subsistência após a morte; seus restos são pintados de vermelho relacionando à caça para subsistir simbolicamente com a cor do sangue dos animais com que se alimentara. Lembremos que atualmente os restos do Papa morto são envolvidos em tecidos na cor vermelha.

A religião chega ao Homem como uma concepção geral que cada povo vai adequando aos seus costumes e crenças que lhe foram transmitidos pelos seus antepassados.

E que é Religião?
- Conjunto de crenças e dogmas acerca uma divindade. Do latim religare.
- Conhecimento que nos relaciona com as grandes forças cósmicas
- Medo ao desconhecido
- Crença na existência de poderes superiores ao Homem que controlam sua própria vida
- Adoração de seres sobrenaturais

Todas as religiões possuem os mesmos elementos, mesmo que em algumas se encontrem mais ocultos que em outras; estes elementos são:
- Animismo:
A crença que nas coisas vivem espíritos.
- Magia:
Obra por médio de causas naturais para ter efeitos sobrenaturais
- Totem:
A dependência dos homens respeito aos animais e seu temor a bestas de grande tamanho.
- Tabu:
Palavra polinésia que significa "proibido". O tabu consiste no ato que não deve realizar-se porquanto colocaria as forças do "Mana" (poder que não é físico) em contra de quem romper o tabu.
- Culto dos antepassados:
Deve ter aparecido com a aparição dos mortos em sonhos.
- Mitos:
Dramas para humanizar os ritos
- Alma:
Os gregos pensavam que a alma é um livro onde são escritas todas as realidades e todas as leis. A Alma fica entre dois mundos, o visível e o oculto como instrumento supremo do conhecimento.
Como vimos acima à origem das religiões foi de proteção; o Homem se descobre como um ser limitado no tempo e no espaço. Inerme frente a forças naturais.
Depois a Religião começa a ser utilizada pelos pensadores para encontrar a razão da existência do Homem.
As religiões tem tido um aspecto duplo: o aparente (as escrituras) e o oculto (o espírito).
Cada religião considera suas escrituras como sagradas e recebidas como a verdades reveladas por Deus. Não nos interessa analisar que profeta recebeu a revelação verdadeira. Pensamos que todas as religiões são possuidoras da mesma verdade entregue a elas pelo mesmo profeta e que Deus é único. Sabemos que esta afirmação não vai ser do agrado quase que de nenhum representante religioso.

Ciência versus Religião

“Podemos ainda dizer que se um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos reconduz a Ele”  (Pasteur).

O Homem tem estado sempre preocupado por conhecer o mundo exterior para adaptar-se a ele.  A Ciência tem desenvolvido esforços através dos séculos e algo tem avançado; mas, devido à imensidão do Universo e sua complexidade, quanto mais se avança mais se aumentam as dúvidas. Mas o Homem não desanima e continua escrutando e estudando o Universo, mesmo tendo a certeza que nunca conheceremos a VERDADE.
Séculos atrás a religião, representada pela Igreja Católica, preocupou-se com os avanços da ciência pensando que estes novos conhecimentos iriam a destruir a fé religiosa.
Mas pensadores e até lideres de diferentes religiões concordam que a Ciência e a Religião caminham no mesmo sentido. O Homem e o Universo são unidades inseparáveis, e tanto a Ciência como a Religião ajudam o Homem a pensar e procurar respostas aos grandes enigmas:

O que é o Mundo?

O que é a vida?

O que somos? Considerando o Tempo e o Espaço, somos infinitos.

Por que estamos aqui, inseridos em um Universo infinitamente grande e em permanente expansão?

Qual o futuro do Homem?

Se o homem vai ser destruído, por que existe?

Deixará uma mensagem, uma lição? Ao benefício de quem?

Por que a natureza morre no Inverno e renasce na Primavera? Por que não fica sempre viva pra que seus frutos fiquem a disposição do Homem?

O que se oculta neste processo de morte e renascimento? Algo persiste; tem que haver uma substância, no sentido filosófico, algo que continua sendo o mesmo pese a este eterno morrer e renascer.

Por que existe alguma coisa em vez do nada?

O que é Nada?

Quem criou o espaço, o tempo, os elementos, os fenômenos físicos?

Seria a religião necessária?

A religião une ou separa os Homens?

Maçonaria

A Maçonaria é correta quando nos pede estudar o sentido dos símbolos do nosso Templo e, com esta ajuda, buscar a verdade sem que exista qualquer imposição.

A Maçonaria fornece uma Tocha para iluminar nosso caminho, caminho no qual não existem deuses antropomórficos e nos entregando a fórmula do G.A.D.U. representando a Verdade, incansável, e que cada passo que damos à frente surge maior número de dúvidas, mas não devemos desencorajar, continuando com um espírito aberto para nossas esperanças.

A verdadeira Religião não é uma manifestação exterior, deve estar dentro do Homem, dirigindo-o em seus passos pelo caminho da Virtude. A verdadeira religião está acima das religiões criadas pelo Homem por interesses egoístas e separatistas e muitas vezes, financeiros.

Se o Universo foi criado, é por que existe um Criador.
Deus é o Ser por excelência, origem de todos os seres, Tríplice e Único: Substância, Essência e Vida, resumo do todo o Universo.


   

Omar Cartes
A.R.L.S. Guatimozin 66
27/fev/2007

Bibliografia::

Diversos artigos publicados na Revista Masónica de Chile:
El GADU y la supervivencia del alma J. T. R. Resp.L 9
El mito solar
Hacia una historia razonada de las religiones – Georges Dumézil
Como nace la religión – Ambrosio Domini
Evolución de las religiones en la historia de… – R H R M  Resp L 53
Las religiones y la búsqueda de la verdad
Religión y ciencia – Albert Einstein
Física y Religión – Jean E. Charon
Símbolos religiosos comparados
Una posible religión del futuro – Julian Huxley
Los libros sagrados de las principales religiones – A M G Resp L 35
Introducción al estudio de las religiones – Benjamín Morgado