A história da A.R.L.S. Guatimozin, nº66
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O ano é de 1948. Ao se ingressar na Ordem Maçônica no Brasil, na única potência conhecida na época, que era o Grande Oriente do Brasil, o neófito devia assumir um apelido ilustre do passado pelo qual passava a ser reconhecido em Loja. Dom Pedro I ao ser iniciado na Ordem escolheu Guatimozin como seu apelido em homenagem a esse bravo guerreiro asteca que morreu lutando pela liberdade de seu povo. Pensamos que nosso Imperador e irmão, já levava em si o ideal de liberdade para o Brasil. Guatimozin, nome espanholado do asteca Cuahtemoc, foi o último Imperador dos astecas, tendo nascido na atual Cidade do México em 1497. Filho do Rei Auitzatle e sobrinho de Moctezuma II. Aos 17 anos torna-se senhor de Tiotelolco, antiga cidade índia, que fazia parte da atual Cidade de México; na mesma época Cortés chega ao país. Preso Moctezuma II, os índios foram derrotados. Aproveitando-se da ausência de Cortés, Guatimozin provocou uma rebelião contra os invasores. Regressando à Cidade de México, Cortés tentou dominar a sublevação, expondo Moctezuma II diante de si, no terraço do palácio; Guatimozin pondo-se à frente dos índios, injuriou o Rei e feriu-o com uma pedrada; Cortés então, libertou Cuitlahuatzin, irmão de Moctezuma, esperando assim obter a submissão da cidade; mas o chefe libertado uniu-se a Guatimozin e ambos expulsaram os espanhóis da Cidade em 30 de junho de 1520. Morto Moctezuma II, provavelmente assassinado, Cuitlahuatzin, assumiu a coroa asteca, falecendo pouco depois, sendo substituído por Guatimozin, coroado em 15 de março de 1521 procurou em vão concluir uma aliança com os demais chefes indígenas para uma luta contra os invasores. Cortés assediou a Cidade de México, defendida pelos indígenas, numa luta encarniçada de 75 dias. Vitoriosos os espanhóis, aprisionaram Guatimozin em 13 de agosto de 1521. Cortés fez Guatimozin acompanhá-lo na expedição a Hibuerras e acusando-o de haver promovido uma revolta contra os espanhóis. Depois de torturá-lo em uma cama em brasas, enforcou-o em 26 de fevereiro de 1522 na cidade de Izancanaque. Definido o objetivo e superados os primeiros obstáculos,
ocorreu, às 20:00 hs de 20 de Outubro de 1948, no escritório do irmão
Henrique Schimidt, situado na antiga rua do Arouche, 49, primeiro andar,
no centro da capital paulista, a fundação da Loja Guatimozin 66. A autorização para a fundação da Loja Guatimozin foi concedida pelo Grão Mestre, o Irmão Carlos Reis Filho, conforme consta na Ata da sessão extraordinária já citada, realizada no dia 20 de Outubro de 1948, e cujo parcial teor é o seguinte : "Aos vinte dias do mês de outubro de 1948, na Rua do Arouche, 49, 1º andar, reuniram-se extraordinariamente Dr. Carlos dos Reis Filho, Waldomiro Prado da Silveira, Drs. Henrique Smith, Sidney Delcides de Ávila, Reinaldo Smith de Vasconcelos, Aloysio Menezes Greenhalg, Te. Cel. Manoel Augusto Baltazar e Srs. Cláudio da Silva Camargo, Whebe Salum e Arthur Castro de Freitas Costa, que deliberaram sobre a organização de uma nova Loja Maçônica, os trabalhos foram iniciados às 20 hs, sob a Presidência de Waldomiro da Silveira que discorreu com brilhantismo sobre as finalidades de esta reunião, demonstrando cabalmente a necessidade da criação de uma nova Loja, composta de elementos capazes e vindo ocupar no cenário nacional o lugar de destaque que lhe compete. Fez um estudo comparativo da Maçonaria no passado e no presente, nível intelectual, social e político, motivado pela incompreensão de suas finalidades. Pela ordem falou Smith que em breve alocução salientou a necessidade da criação de uma Loja "cérebro" preenchendo assim uma grande lacuna na Maçonaria Brasileira e apresentou o seu inteiro apoio a explanação do Irmão Waldomiro. Discorreram ainda sobre o palpitante assunto Cláudio, Aloysio e Baltazar, que em brilhantes Peças de Arquiteturas, defenderam os seus pontos de vista. Igualmente pela ordem fez uso da palavra o Sereníssimo Grão Mestre, fazendo uma apreciação dos trabalhos da Ação Maçônica Nacional, (uma entidade de âmbito nacional visando unir as Grandes Lojas Brasileiras), salientando a necessidade da existência de uma Loja que secundasse o esforço daquela entidade maçônica, no sentido de fortalecer cada vez mais a Grande Loja do Estado de São Paulo e em defesa dos postulados da maçonaria do Brasil. Em seguida o Irmão Waldomiro declara encerrada a discussão que é posta em votação a idéia da criação da nova Loja e é aprovada por unanimidade. Após a deliberação foi solicitado ao Sereníssimo Grão Mestre a sua opinião sobre o ato, tendo este declarado achar-se de pleno acordo com as deliberações tomadas, visto estarem todos os presentes investidos dos seus direitos maçônicos e amparados pela Constituição. Por aclamação procedeu-se os preenchimentos dos cargos, ficando assim constituída a nova diretoria em caráter provisório, até a completa organização da nova Loja : Venerável Mestre - Waldomiro Prado da Silveira Foram tomadas as seguintes deliberações : A) Taxa de iniciação Cr$3.000,00 (três mil cruzeiros),
sendo Cr$1.000,00 com a proposta, Cr$1.000,00 com o aviso de aceitação
e Cr$1.000,00 da data da iniciação. E como nada mais tivesse a tratar, às 21,30 hs foi dada como encerrada a reunião e eu, Arthur Castro de Freitas Costa, Secretário de Ofício, lavrei a presente ata que vai assinada por todos os presentes. São Paulo (capital), 20 de Outubro de 1948". (seguem-se onze assinaturas). Na reunião extraordinária de 25 de outubro
de 1948 confirma-se a fundação da Loja e se decide pelo nome Guatimozin,
sendo a primeira reunião ritualística foi em 10 de Abril de 1949, em
local situado na Avenida Celso Garcia, 873. A aprovação do Estatuto
da Loja consta na Ata de 20 de Dezembro de 1948 e a Carta Constitutiva
Definitiva tem a data de 20 de Janeiro de 1950. |
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(adaptado dos textos do Irmão Mário Aparecido Gazzola e do discurso do Orador José Júlio Figueiredo Liza da Sessão Magna comemorativa do cinqüentenário da Loja Guatimozin) |